domingo, 13 de março de 2011

Os meus olhos recuaram,
assim como o dia recuou:
o céu fez-se cinza,
foi o vento que voltou.
Quando o dia quer ser preto e branco,
até a flor mais viva,
da minha janela,
perde a cor.
Esses dias sombrios,
não menos bonitos,
são como um tabuleiro de xadrez.
Um retrato em grafite.
Essa hora
em que o dia me abraça
me esquenta por fora,
mas congela por dentro.
Os meus olhos vêem tudo claro demais,
a minha pupila rege o meu mundo.
Eu vejo escuro quando quero.
O estranho é que eu nunca mais fiz nada por alguém. Até sofrer, agora eu sofro por mim mesma.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Isso é normal para o tipo de gente de vocês."

Odeio gente que se acha importante por achar-se diferente dos outros. Quando apenas nós notamos nossa diferença, é porque algo está errado. Às vezes, para conviver com outras pessoas, é necessário perceber que de alguém sempre podemos tirar algo bom. E nunca, nunca pensar que tu és demais para se misturar com "esse tipo de gente de vocês". É uma regra simples de convivência, para quem quer ter convivência: Tu não podes apenas conviver com o teu "tipo de gente". Aprender a conviver é aprender a se jogar no meio dessa mistura entre flores e espinhos. Nada é tão bom, para não ficar melhor ainda misturado.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu vi uma folha cair.
Lembrei-me de um adeus
Que eu te dei.
A leveza de uma dor
Que demora a passar...
Vai planando, flutuando
Até cair no chão.
Quando cai,
Logo vem alguém e pisa
Pisa na folha seca...
A folha seca, de tanto tempo,
Que foi tão verde!

Como Gato

Talvez tu tenhas olhos de gato,
Com aquele estranho formato,
Mas que tiram a minha dor!

Talvez tu pules a janela,
Sem fazer algum barulho,
Como alguém que nunca,
Nunca nada pesou.

E se pela noitinha,
Não te chamar pra vir pra dentro,
Ou nem te dar comida...

Aí, então, me lembrarei:
Os gatos, independentes,
Cuidam de suas próprias vidas.
A Terra gira!
Para tentar ver a si mesma.
Como um cachorro que persegue o rabo,
Nunca consegue alcançá-lo!
O mais triste em ser mundo,
É não perceber e enxergar sua grandeza...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Espelho perigoso

Se os olhos não enxergam,
Os ouvidos não escutam...
O que o cérebro absorve
E o que a boca fala?
É comum não saber nada,
Quando o importante torna-se
Saber somente sobre si.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Até hoje não encontrei ninguém que pudesse explicar se é destino ou coincidência. A vida não deixou nenhuma pista. A coincidência tira a magia de um destino escrito. No entanto, é mais mágico acreditar que as coisas acontecem porque tem que acontecer, ou porque a vida simplesmente tomou outro rumo? O outro rumo está no meio de todas as outras coisas, e por uma infeliz ou feliz coincidência ele aconteceu.
Mágico é pensar que a gente vive tudo isso sem nunca poder responder se é destino ou coincidência, mas apenas saber lidar.
Hoje eu estou feliz, mas semana passada eu estava triste. Era assim que tinha que ser? Ou, por coincidência, hoje foi um belo dia de sol?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ela não entendeu por que, mas seus olhos estavam cada vez mais azuis. Um azul que não se limitava ao azul da cor do mar: era o azul de todos os azuis. Azul da água, do céu, da hortência. Sei lá, era azul do jeito que qualquer um podia ver, era azul do jeito que qualquer um quisesse ver.
Ela sorria branco. Branco de todas as flores, de todas as nuvens, branco como leite. Ela sorria todo o branco que tinha direito. Sorria até mesmo o branco que os outros não tinham.
O seu cabelo estava bem mais amarelo: um amarelo de quem deixou o sol entrar. E como entrou! Aquele sol invadiu o corpo todo e queimou quase tudo de ruim que tinha lá dentro.
Continuou não sabendo por que, mas ela estava encontrando nela mesma todas as cores possíveis, imagináveis. Finalmente ela conseguiu colorir o retrato preto e branco que estava dentro dela. Porque todos têm uma foto dentro de si, a imagem real, que nem sempre é sorridente.
Suas cores, agora, eram as mesmas, tanto do lado de dentro quanto do lado de fora. O que ela sentia, era o mesmo que ela mostrava: e tudo estava tão colorido! E agora tudo é tão feliz.