Continue andando
sentindo a brisa
como o arranhão
de um gato.
Não peça carona.
Não perca o jeito
de trocar os pés
com passos de Ballet.
Deite em uma calçada,
mas não perca de vista
o além de quem está de pé.
Bata nessa boca
se quer reprimir.
Deixe a língua solta,
vão querer te ouvir.
Não ranja os dentes,
já está bem cuidado.
Como uma semente
de um pé já plantado.
Não sei pra quem dou
todo esse conselho.
Talvez eu devesse,
falar para o espelho.
terça-feira, 1 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Palavras cuspidas
Cobiçou o olho de gato do homem da outra
e esqueceu do olho barrento do seu.
Calçou os sapatos vermelhos,
não lavou a louça, e a maquinada não estendeu.
Passou o justo vestido, cortou o comprido
e não deu oi pra vizinha.
Passou reto pelo carteiro,
pegou o isqueiro e acendeu um cigarro.
Falou que não tinha dinheiro pra pagar o padeiro
e nem passar no mercado.
O cabelo que nunca foi loiro
a moça foi lá e pintou.
E qualquer homem na rua que passa,
até quem é mudo, agora berrou!
O porteiro sempre cadeado,
abriu o portão e não se importou!
O pedreiro nem quis dar cantada,
sentou num tijolo e só lamentou.
Voltou para casa pensando no olho
cristalino de gato do marido dela.
E como a "dela" não era ela mesma,
olhou pro vestido bem sujo de barro.
O barro era do olhar dele,
do seu marido próprio, que não era amado.
e esqueceu do olho barrento do seu.
Calçou os sapatos vermelhos,
não lavou a louça, e a maquinada não estendeu.
Passou o justo vestido, cortou o comprido
e não deu oi pra vizinha.
Passou reto pelo carteiro,
pegou o isqueiro e acendeu um cigarro.
Falou que não tinha dinheiro pra pagar o padeiro
e nem passar no mercado.
O cabelo que nunca foi loiro
a moça foi lá e pintou.
E qualquer homem na rua que passa,
até quem é mudo, agora berrou!
O porteiro sempre cadeado,
abriu o portão e não se importou!
O pedreiro nem quis dar cantada,
sentou num tijolo e só lamentou.
Voltou para casa pensando no olho
cristalino de gato do marido dela.
E como a "dela" não era ela mesma,
olhou pro vestido bem sujo de barro.
O barro era do olhar dele,
do seu marido próprio, que não era amado.
terça-feira, 27 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Pra quem pensa sem determinar
As ideias se rastejam pela escada,
escorrendo de degrau para degrau,
deixando a marca no chão.
O chão de quem pisa forte,
de quem não pensa nem em vida,
nem em morte,
e sobrevive para ocupar um lugar.
As ideias, sem administração,
gastaram o novo sem nenhum destino,
ficaram ali como se fosse algo velho.
Quem quer pensar colorido,
quebrar, com a cabeça, o muro.
Às vezes esquece de lembrar.
Acaba deixando as ideias passarem.
As ideias que hoje estão no mesmo degrau
da pedra que caiu do sapato
de quem caminha sem olhar por onde.
escorrendo de degrau para degrau,
deixando a marca no chão.
O chão de quem pisa forte,
de quem não pensa nem em vida,
nem em morte,
e sobrevive para ocupar um lugar.
As ideias, sem administração,
gastaram o novo sem nenhum destino,
ficaram ali como se fosse algo velho.
Quem quer pensar colorido,
quebrar, com a cabeça, o muro.
Às vezes esquece de lembrar.
Acaba deixando as ideias passarem.
As ideias que hoje estão no mesmo degrau
da pedra que caiu do sapato
de quem caminha sem olhar por onde.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Rápidas soluções para os problemas
Tampou o sol com a peneira e fritou-o, assim mesmo, com as nuvens.
Pediu para eu poder passar
Sem pisar no teu peito pequeno
Que não aguenta tanto peso
Quanto mais meu caminhar.
O problema não era o passo,
Mas a frequência do meu palpitar,
Que acabava deixando tão pouco,
O teu amor sempre passageiro.
Pisei, então, de leve.
Quase me fiz feito pluma.
Pulei, às vezes, alguma
tristeza que sem querer
Deixei prolongar.
Pousei então, como amiga,
Mas eu já estava de partida,
Sabendo a pontada que é saber
Que a porta ia se fechar.
Sem pisar no teu peito pequeno
Que não aguenta tanto peso
Quanto mais meu caminhar.
O problema não era o passo,
Mas a frequência do meu palpitar,
Que acabava deixando tão pouco,
O teu amor sempre passageiro.
Pisei, então, de leve.
Quase me fiz feito pluma.
Pulei, às vezes, alguma
tristeza que sem querer
Deixei prolongar.
Pousei então, como amiga,
Mas eu já estava de partida,
Sabendo a pontada que é saber
Que a porta ia se fechar.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Pôr do sol de hoje
Passei meus olhos
Em um céu laranja.
Resolvi passar meus dentes,
E mordi.
A laranja maior,
Com gosto de mundo,
Com um pouco de nuvem,
E umas pontas de chaminés.
Guardei um pedaço,
Um pouco molhado,
Mas bastante grande.
Que ideia! Manter o céu,
Embaixo de um telhado.
E sorri sem graça,
Com uns gomos nos dentes,
Na verdade era gente,
Que caminhava na rua.
Cometi o engano,
De confundir céu com fruta,
E no mesmo momento,
Eu tive altura pra devorar.
Em um céu laranja.
Resolvi passar meus dentes,
E mordi.
A laranja maior,
Com gosto de mundo,
Com um pouco de nuvem,
E umas pontas de chaminés.
Guardei um pedaço,
Um pouco molhado,
Mas bastante grande.
Que ideia! Manter o céu,
Embaixo de um telhado.
E sorri sem graça,
Com uns gomos nos dentes,
Na verdade era gente,
Que caminhava na rua.
Cometi o engano,
De confundir céu com fruta,
E no mesmo momento,
Eu tive altura pra devorar.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Temporal
As camadas dos prédios
foram caindo
como um pão em fatias,
em que se abre o saco
e todas elas caem para um lado.
foram caindo
como um pão em fatias,
em que se abre o saco
e todas elas caem para um lado.
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