sábado, 17 de outubro de 2009

Por trás das lentes



Lucas e Mariana tinham se conhecido em uma grande festa na cidade de São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul. Naquela noite eles já estavam perdidamente apaixonados.
Sentados na beira de um riacho, em cima de um tronco a luz do luar, eles ficaram conversando de mãos dadas...
Mariana, que apreciava aquela bela noite, balançava seus pés pelo nervosismo da ocasião, e sem querer, impulsionou seu pé esquerdo tão alto, que seu sapato voou lá no meio do riacho.
Era uma noite muito fria, e a hipótese da menina ficar sem calçados estava descartada. Ela precisava calçar algum sapato rápido, antes que seus pés congelassem.
Imediatamente Lucas tirou seus sapatos e foi calçá-los nos pés de Mariana, e foi quando seu pé se perdeu em seus dedos, que ele percebeu o quão pequenos eram os pés de Mariana. Ela calçava número nove, assim como uma criança e seus pés ficaram flutuando dentro dos sapatos de Lucas. E assim, ele a levou em casa.
Lucas e Mariana namoraram durante dois anos e ficaram noivos. O namoro e o noivado duraram duas décadas. Durante esses vinte anos, caminhando sempre muito pouco, pois os pés de Mariana não agüentavam.
Certo dia, Mariana estava andando na rua e se desequilibrou em cima dos mini saltos, e caiu no chão. Ali, ela achou setenta e cinco reais perdidos, e teve uma grande idéia.
Cansou de esperar e impôs ao seu noivo um casamento relâmpago, na padaria onde trabalhavam mesmo... Nada de véu e nem grinalda, terno muito menos. Os setenta e cinco reais foram o suficiente para comprar as alianças usadas da vizinha de Mariana, que já havia se separado.
Trocaram as alianças dentro da padaria, em uma manhã muito bonita. Não havia padre nem alguma testemunha, a não ser eles mesmos e o som dos Beatles que tocava na vitrola da padaria “I wanna hold your hand”.
Trataram de fechar as portas da padaria, e a lua de mel aconteceu ali mesmo...Mas ao invés de mel, o que rolou na lua de mel mesmo, foi muita batata frita. O casal, sem querer, ficou preso dentro da padaria, e já sentindo fome, foram pegar alguma coisa pra comer, e em vez de pão, depararam-se apenas com batata-frita, e foi disso que se alimentaram durante três dias.
Nesse meio tempo, Mariana descobriu muitas coisas sobre Lucas. Entre essas coisas, havia descoberto a falsidade que ele demonstrava no olhar, literalmente. Os olhos que ele mostrava ser azuis, não passavam de lentes de contato, e Mariana ficou muito surpresa ao ver os olhos vermelhos como sangue, com quais se deparara.
Lucas parecia ser uma pessoa perfeita, fazia tudo certo, ria de todas as coisas que ela dizia, era amigo, companheiro... E tinha apenas um só defeito. O que não adiantava de muita coisa, pois o pior de todos os defeitos ele tinha: falsidade.
E uma pessoa não é nada sem viver de realidade.

Um comentário:

Unknown disse...

adorei a história. e a brincadeira. é da sora môquina?